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Matéria retirada do Jornal "O Diário de São Paulo, de 24/09/07 Menino pagava R$ 1,00 por lição Caio está na 4ª série e não consegue ler e escrever. Por isso, armou um esquema para comprar as tarefas Caio (nome fictício) é desses meninos inquietos, que conversam durante a aula, adoram futebol e têm preguiça de fazer lição. Prestes a completar 11 anos, matriculado na 4ª série, ele nunca foi reprovado. Também nunca aprendeu a ler e escrever. No início do ano, Caio teve a idéia redentora: pagar para um colega fazer a sua lição na sala. O preço? De R$ 0,50 a R$ 1por tarefa. O esquema foi articulado com mais três amigos e funcionou até o mês passado, quando a professora descobriu a fraude e ameaçou suspender o quarteto. "Dava preguiça de fazer a lição, daí eu pagava" conta o garoto. Para financiar a falcatrua, ele trabalhava como gandula nos jogos de futebol amador do bairro onde mora, em São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital. "Ganhava R$ 10 por todos os jogos". "Agora, eu não pago mais. Estou me esforçando". Caçula entre quatro irmãos, é filho de pais analfabetos. A mãe está desempregada e o pai trabalha como pedreiro. Segundo Caio, apenas a irmã mais velha, de 17 anos, vai bem nos estudos. Quem lamenta o fim do esquema de lição é Maurício (nome fictício), também de 10 anos, que fazia a lição dos companheiros. "Eu comprava balas com o dinheiro", diz. O garoto, considerado por Caio um dos melhores alunos da sala, fazia a lição rapidamente para dar conta dos outros três cadernos. Maurício mora com o pai, tem mais quatro irmãos e não vê a mãe há três anos. Ela se mudou para a Paraíba. O menino diz que o pai olha o caderno todos os dias para saber como ele está indo na escola. Caio fez a avaliação do DIÁRIO, mas não pagou pelas respostas, nem contou com a ajuda de Maurício. Sua prova simplesmente foi devolvida em branco. No ano passado, Douglas (nome fictício), de 11 anos, foi avaliado pela primeira vez e repetiu a 4ª série. Ele estava na mesma turma de Caio e Maurício, resolvendo a prova do DIÁRIO. Não sabe ler e conta com a ajuda de colegas para fazer as lições. "Eu não gosto de estudar", diz, convencido de que o estudo não é importante para o seu futuro. A raiva da escola
vem de ser alvo de chacota. "Os meninos mexem com ele no recreio",
diz um amigo. Douglas não quis falar sobre o assunto. Em junho,
já somava 32 faltas no colégio. |
Decálogo A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens acima,
deverão ser objetos de ofícios
da direção às Diretorias Regionais de Ensino,
a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
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